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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Uma história de gratidão

Recebi uma vez por email e agora como comentário em um de meus blogs. Acho esse relato interessante porque mostra o Criador agindo em nosso destino, nos conduzindo para que sigamos nosso caminho.

Na quinta feira, dia nove, entre uma reunião e outra, o empresário aproveitou para ir fazer um lanche rápido em uma pizzaria na esquina das ruas Yafo e Mêlech George no centro de Jerusalém.

O estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê percebeu que teria que esperar muito tempo numa enorme fila, se realmente desejasse comer alguma coisa - mas ele não dispunha de tanto tempo. Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.

Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelense perguntou-lhe se ele aceitaria entrar na fila na sua frente. Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente e saiu em direção à sua próxima reunião.

Menos de dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer o que acontecera.

O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s… Moshê ficou branco. Por apenas dois minutos ele escapara do atentado. Imediatamente lembrou do homem israelense que lhe oferecera o lugar na fila.

Certamente ele ainda estava na pizzaria. Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia estar morto.

Atemorizado, correu para o local do atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas encontrou uma situação caótica no local.

A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, sendo seis crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em condições críticas.

As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada. Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de alguma forma. Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensangüentadas eram socorridas por policiais e voluntários. Uma mulher com um bebê coberto de sangue implorava por ajuda. Um dispositivo adicional já estava sendo desmontado pelo exército.

Moshê procurou seu ’salvador’ entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo. Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.

Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida. O senso de gratidão fez com que esquecesse da importante reunião que o aguardava.

Ele começou a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado. Finalmente encontrou o israelense num leito de um dos hospitais. Ele estava ferido, mas não corria risco de vida. Moshê conversou com o filho daquele homem, que já estava acompanhando seu pai, e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê se despediu do rapaz e deixou seu cartão com ele. Caso seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.

Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema em seu escritório em Nova Iorque daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets.

Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias.Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque.

Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo senso de gratidão. Outra pessoa poderia ter dito ‘Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila‘.

Mas não Moshê. Ele se sentia profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor. Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo - e deixou de ir trabalhar. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia onze de setembro de 2001. Moshê não estava no seu escritório no 101º andar do World Trade Center Twin Towers.

(Relatado em palestra do Rabino Issocher Frand)

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Gêmeos siameses e o espiritismo

Achei um artigo muito interessante sobre o assunto: "Gêmeos siameses e o espiritismo", que analisa a ocorrência de gêmeos siameses à luz da ciência e à luz do espiritismo. Vale a pena conferir.

Será que os casos de gêmeos unidos por partes do corpo físico têm relação com grandes conflitos de dois espíritos ao longo das reencarnações?

Leia mais no site Humildes com Jesus - Gêmeos siameses e o espiritismo.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Libertando as amarras

(Essa postagem é uma continuação dos posts
Nosso destino está traçado
Um sentido novo à vida
De encontro ao meu destino
Nas entrelinhas
portanto leia primeiro os outros para entender a história)

Foi muito difícil explicar ao rapaz o que tinha acontecido durante as semanas que ele estivera em coma. No fundo eu me sentia "culpada", quase como uma traidora, mas depois eu dizia a mim mesma que nem sequer o conhecia. Eu agira exatamente como o combinado, e se as coisas tomaram o rumo que tomaram não foi culpa de ninguém, simplesmente é porque era assim que tinha que acontecer.

Também foi duro despedir-me de meus filhos, mas 4 já eram adultos e tinham suas vidas já ajeitadas, o caçula ficaria a cargo de meu ex-marido. Sair da escola onde eu dera aulas por 10 anos também não foi fácil, mas quem disse que é fácil recomeçar? É impossível fazer uma omelete sem quebrar os ovos, e se eu queria viver o amor de minha vida ao lado de minha alma gêmea tinha que abrir mão de muita coisa. E essas pessoas todas, tão caras para mim, tinham suas vidas para viver e ficar à sua sombra não era suficiente para me fazer feliz. Fui então em busca de minha felicidade.

No início a adaptação não foi fácil, era o ambiente novo da escola, uma nova visão do meu trabalho que hoje me estimula, mas que na época foi uma causa a mais de stress. E eu ficava pensando se conseguiria vencer mais essa. Marques sempre ao meu lado me dizendo que reconheceriam meu valor e se acostumariam à minha forma de trabalhar. Minha comadre não queria outra nora e fazia pressão para que o namoro acabasse, até a ex dele começou a dar trabalho, fazendo chantagem sentimental com o filho pequeno e me passando trotes no celular.

Havia momentos em que eu achava que tinha feito uma grande bobagem e que teria sido melhor ter ficado onde eu estava, curtindo um relacionamento à distância pela internet, sem grandes alegrias mas também sem ter que me adaptar, aprender, vencer novas batalhas. Mas logo em seguida percebia que aos poucos as coisas iam tomando forma, meu trabalho era reconhecido, alunos e colegas passaram a me respeitar.

A ex de Marques arranjou um namorado, minha comadre conformou-se em ter uma nova nora, as coisas começaram a entrar nos eixos e comecei a curtir minha vida nova. Namorar era quase uma experiência nova depois de tanto tempo, tanto para mim quanto para ele.

Em maio de 2007 eu e Marques nos unimos e assim que meu divórcio saiu nos casamos. Após 1 ano e 7 meses de união estamos na maior felicidade. Nunca discutimos nem brigamos e os momentos que passamos juntos são os melhores de nosso dia.

Meu caçula veio morar conosco e dois dos adultos vieram morar aqui também. Aos poucos aceitaram minha nova vida e meu novo marido. Hoje vejo que se não tivesse vindo a São Paulo conhecer alguém que jamais apareceu nada disso teria acontecido. Da forma mais imprevisível, com voltas e reviravoltas, acabei encontrando tudo o que vim procurar. Na verdade, encontrei muito mais do que julguei possível e estou feliz ao lado da minha cara metade.

Acho que todos os que têm a coragem de ir atrás do que procuram e que não têm medo das mudanças são recompensados. Quando as oportunidades surgem em nossa vida temos que aproveitá-las porque pode ser que o que você mais quer esteja logo ali, depois da curva do caminho. Basta você seguir em frente que o encontrará.

Essa história pode parecer meio maluca mas imagino que só aconteceu porque nos permitimos ser guiados por nossa voz interior, que nos dizia os próximos passos a serem dados para a concretização de nosso destino. Não foi fácil chegar até aqui mas tudo o que vivemos compensou pela vida que temos agora. É como se diz: Deus escreve certo por linhas tortas.


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Nas entrelinhas

(Esta postagem é uma continuação dos posts:
Nosso destino está traçado
Um sentido novo à vida
De encontro ao meu destino
portanto leia antes as postagens anteriores para entender a história desde o início.)

Da viagem até a casa de minha comadre lembro pouca coisa, apenas paisagens estranhas turvadas por lágrimas, rostos desconhecidos olhando-me com curiosidade, pensamentos desconexos cruzando-me a mente em átimos de segundos. Quando finalmente desci do ônibus em frente à casa dela foi como se um século ou uma vida inteira tivessem passado. Eu trazia nos ombros o peso de sonhos despedaçados, castelos desfeitos, amores inacabados.

Do outro lado da rua vi um homem parar e me acenar para que eu atravessasse e reconheci nele o filho de minha comadre. Entreguei minha vida àquele gesto e fui de encontro a ele sem olhar para os lados. Não sabia disso no momento mas enquanto atravessava, minha verdadeira história começava.

Eu já o conhecia há anos mas de pouca coisa me lembrava. Ele sabia apenas que eu era a comadre de sua mãe e que muitos anos antes eu fora objeto de seu desejo. Disso eu não sabia.

Na casa de minha comadre consegui um pouco de paz e os poucos dias que passei lá modificaram meu destino para sempre. Já no segundo dia eu e Marques (o filho dela) conversávamos como se fôssemos amigos de infância. Laços fortes e intrigantes nos uniram desde o primeiro dia e eu me perguntava como poderia me sentir tão próxima de quem mal conhecia.

Mas lá dentro algo me contradizia. Era como se eu já o conhecesse há muito tempo, quando meus olhos mergulhavam nos seus eu sentia uma familiaridade estranha e ele sentia o mesmo. Em três dias já éramos inseparáveis. Nossos papos se arrastavam pelo dia e pela tarde afora e depois pela noite adentro.

A idéia de mudar-me para Diadema instalou-se em minha mente, e a despeito de minha comadre achá-la absurda assim que pensei nisso as coisas deram tão certo que só me faltava dizer "estava escrito".

Depois de uma semana em Diadema voltei para Pacaembu e por 40 dias as notícias do outro rapaz eram as mesmas. Estava em coma. E enquanto ele dormia eu e Marques nos falávamos por telefone e celular quase todo dia, e a amizade virou paixão. Decidi vir a Diadema visitá-lo, aproveitando que teria uma entrevista de emprego em uma escola daqui. A entrevista deu super certo e revê-lo só fez crescer em mim a certeza de que fazia a coisa certa.

Estávamos contando os dias que faltavam para que eu me mudasse para Diadema e que pudéssemos viver nossa paixão. Aos poucos eu mais e mais me convencia de que ele era o homem por quem eu havia esperado durante toda a minha vida. Menos de um mês para a concretização do sonho de uma vida inteira e quando eu já nem esperava, aconteceu: o rapaz que me dera o bolo acordou do coma e entrou em contato comigo.

Essa postagem continua em: Libertando as amarras
(Zailda Coirano)



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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

De encontro ao meu destino

(Esse texto é a continuação das postagens:
Nosso destino está traçado
Um sentido novo à vida
portanto sugiro que as leia primeiro para entender a história)

Cheguei a São Paulo 2 horas mais cedo do que o esperado, mas mesmo assim fui para o local combinado e me preparei para uma longa espera. Dentro de mim algo dizia que a espera seria longa, talvez eterna. As horas se passaram e eu imaginava-o chegando, mas nada acontecia. As pessoas iam e vinham, indiferentes ao drama que eu vivia.

Depois de passar horas esperando dei-me conta do óbvio: ele não viria. E também percebi que viera a São Paulo com uma única idéia na cabeça, caso não desse certo não sabia o que ia fazer. Estava na maior cidade da América do Sul e não fazia idéia para onde ir.

Decididamente não pretendia voltar para minha cidade derrotada e de mãos vazias, tampouco queria ir para a casa de parentes que moravam aqui e que já estavam cientes da história. O que eu menos queria era ouvir sermões ou perguntas. Eu mesma estava cheia de perguntas sem resposta e não me sentia capaz de encontrar respostas para as perguntas de outras pessoas. Decidi então ir para a casa de minha comadre.

Ela é a madrinha de minhas 2 filhas mais velhas e desde que eu me mudara de Diadema, em 1985, essa seria minha primeira visita à casa dela. Ela sempre ia me visitar e essa seria a oportunidade de retribuir suas visita. Lá eu também me sentiria em "território neutro", sensação mais que bem-vinda nesse momento delicado.

Com as mãos trêmulas liguei para a casa de minha comadre e do outro lado uma voz masculina respondeu. Era o filho dela, Marques, de quem eu vagamente me lembrava da época que morara em Diadema, quando ele era pouco mais que um garoto. Minha comadre sempre falava dele quando ia à minha casa mas eu não dava muita atenção.

Conversei com minha comadre e ela concordou que eu fosse para lá. Eu estava ainda dentro do ônibus quando meu celular recebeu uma mensagem. Era do rapaz que me dera o bolo. Meu coração disparou e foi com mãos trêmulas que abri a mensagem:

"Aqui é o irmão de ... Há 2 dias ele teve um derrame. Coma profundo. Estado desesperador. Só saberemos se sobreviverá nas próximas 72 horas"

As lágrimas vieram a meus olhos e começaram a rolar sem que eu as sentisse. De repente eu não via mais nada. Uma angústia profunda me rasgou toda por dentro.

(Esta postagem continua em Nas entrelinhas)


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Um sentido novo à vida

(Essa postagem é continuação de "Nosso destino está traçado", se você não a leu, leia antes de ler essa aqui)

Comecei a conversar todas as noites com o rapaz que tão formalmente iniciara essa amizade. Eu ouvi seus problemas, de seu namoro desfeito, de sua solidão, e depois fui também falando dos meus, de meus relacionamentos terminados e minha firme determinação de ficar enfiada em casa até o último de meus dias.

A amizade crescia, às vezes nos emocionávamos com nossas histórias, mas mais freqüentemente ríamos de nossas piadas particulares. Ele gostava de meu humor ácido, eu de seus trocadilhos e sua rapidez de raciocínio. Em um mês éramos amigos íntimos e nossa conversa antes de dormir era a melhor parte de meu dia.

As conversas se espichavam, compridas, a cada dia eu passava mais tempo na frente do computador, chegando ao record de 17 horas seguidas num sábado. Se perguntarem sobre o que falávamos, não sei dizer ao certo. Falávamos de tudo e de coisa nenhuma. Apenas falávamos e ouvíamos. Pela primeira vez eu sentia que alguém nesse mundo me entendia, mesmo estando a milhares de quilômetros, com um mar no meio nos separando.

Com pouco mais de um mês de conversa ele queria me ver pessoalmente. Resisti a princípio mas depois pensei: que estou perdendo? E acabamos por combinar que ele viria ao Brasil no carnaval de 2006 e nos encontraríamos em São Paulo. Para mim seria uma viagem de 700 km e ele iria atravessar o Atlântico.

Depois de combinarmos o encontro ficamos ainda mais íntimos, a ponto de eu pensar que estava apaixonada e que havia encontrado minha alma gêmea. A cada dia minha ansiedade crescia, a ponto de eu não conseguir mais esperar pelo momento, e recomecei a sonhar. Mas quanto mais tempo eu dedicava às nossas conversas, mais meus filhos me criticavam, achavam que ele era apenas um desocupado se divertindo às minhas custas, um tarado da internet, um louco seqüestrador. Quanto mais se aproximava o dia de minha viagem mais aumentava a pressão deles tentando me fazer desistir.

Mas eu já tinha tomado uma decisão e iria até o fim, custasse o que custasse. Dentro de mim algo me dizia que meu destino passava por São Paulo, que eu tinha que vir, que algo muito importante e que iria mudar minha vida estava me esperando aqui. E essa sensação crescia conforme os dias passavam.

O dia da viagem se aproximava e 2 noites antes ele não apareceu para conversar. Nem no dia seguinte, nem no dia da viagem. Meus filhos e amigos redobraram seus esforços para me fazer desistir, dizendo que se ele não aparecia para conversar na internet também não apareceria em São Paulo.

A essa altura a cidade inteira já sabia de minha "aventura" e todos queriam dar sua opinião, uns medrosos me falando de histórias horripilantes sobre gente que vai se encontrar com quem conheceu pela internet, outros entusiasmados, talvez vivendo minha história como se fosse a deles, ou algo que gostariam de também vivenciar. Mal sabiam eles que tanto fazia se eram contra ou a favor pois dentro de mim a decisão já estava tomada.

No dia combinado entrei no ônibus com o coração aos pulos e senti que ia de encontro ao meu destino.

(Essa história continua na postagem "De encontro ao meu destino")

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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Nosso destino está traçado?

Não acredito que nosso destino esteja inexoravelmente decidido e que não tenhamos nenhum controle sobre o que vai nos acontecer, imagino que antes de virmos para essa vida terrena nos propusemos a fazer algumas coisas e para concretizá-las sabíamos de antemão alguns caminhos que teríamos que seguir por aqui.

Depois de encarnados nos esquecemos de tudo e por vezes tentamos nos furtar ao que foi combinado anteriormente mas o Criador nos faz lembrar de nossas missões e por mais voltas que demos, quando abrimos o olho estamos novamente no mesmo lugar.

Olhando agora para trás percebo que mesmo tendo dado muitas voltas acabei chegando onde teria que chegar, pois desde o início tudo apontava para isso, só os personagens centrais dessa história que vou contar é que não viam. Analisando agora tudo o que aconteceu tenho uma idéia clara de que para que tudo se passasse como se passou é necessário haver uma Força Superior, ou a Mão de Deus, como queira, a nos guiar na escuridão.

Imagino que essa história tenha começado muito antes mesmo de qualquer um de nós ter nascido, mas como não me lembro não posso contar essa parte, apenas imaginá-la. E se alguém ainda duvida da existência da alma gêmea, daquela pessoa que vai completar nossa existência, talvez mude de idéia ao ler essa história, ou talvez não. Talvez só abandone o ceticismo quando a SUA história acontecer, nessa vida ou em outras que estão por vir.

Escolhi contar a história em capítulos por ser longa e nos detalhes é que está o charme da coisa toda, então caro leitor, queira dispensar-me alguns minutos de sua atenção diária que prometo que no final entenderá o que eu disse sobre o destino. E se torce o nariz agora, garanto que eu teria a mesma reação alguns anos atrás, e logo você entenderá porque mudei meu modo de pensar.

Antes de mais nada vou dar uma breve visão panorâmica da situação quando tudo começou. Na época eu nem sabia que alguma coisa estava começando, mas bem que o pressenti. De qualquer modo, pela forma que as coisas se passaram, mesmo sentindo algo estranho eu jamais poderia furtar-me a viver a minha história.

Eu me casei e descasei várias vezes e o fato já virara piada em minha cidade. Eu morava numa pequena cidade do interior de São Paulo com 12 mil habitantes, para onde tinha me mudado em 85 para lá criar minhas 3 filhas e havia me separado recentemente. Lá casei-me novamente e tive mais um filho, adotamos outro. Após 12 anos a união se desfez e fui viver minha vida sózinha, decidida firmemente a nunca mais unir-me a ninguém.

Mesmo assim comecei a namorar um rapaz 17 anos mais novo. Namoramos durante 3 anos e meio mas apesar de ele querer casar-se nós nunca nos entendemos bem. Ao final do namoro eu já estava tão desesperançada de encontrar a tal "alma gêmea" e tão cansada de tantos casamentos desfeitos que terminei o namoro jurando a meus filhos que nunca mais me casaria. Para melhor cumprir o prometido isolei-me em casa, só saía para ir trabalhar.

Permaneci em meu castelo isolado por um ano e durante esse tempo fiquei viciada em internet. Tinha muitos contatos no msn, do mundo inteiro, em vários idiomas, e passava as horas de lazer em frente do computador. Dentre meus contatos havia um com quem eu nunca havia falado, e foi uma surpresa quando um pouco antes do natal ele começou a conversar comigo:

- Olá, como vai a Senhora?

Eu respondi e começamos a conversar a partir desse dia, e foi assim que a história mais louca de minha vida teve início.

(A continuação dessa história está na postagem "Um sentido novo à vida".)

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O destino

O que muitas pessoas chamam de "destino" para os espíritas é simplesmente a confirmação daquilo a que você se propôs antes de vir para cá. De certa forma misteriosa para nós que não nos lembramos mais do que nos comprometemos a fazer ou a viver antes de vir para cá, tudo se encaminha para que se cumpra o nosso "destino".

Acontecimentos curiosos às vezes nos chamam a atenção e os chamamos de "coincidências", mas se formos parar para analisá-los vamos ver claramente neles a mão de Deus, guiando-nos para que se cumpra o que é melhor para nós.

Analisar esses "sinais" é também uma forma de "rezar". Antes de pedir ajuda nos momentos difíceis é sempre útil olhar para eles e com uma clareza espantadora esses sinais nos guiarão para o que é melhor para nós, basta que aprendamos a interpretar esses "recados" que Deus nos manda a todo momento.

Dizem que Deus não fala diretamente conosco mas eu discordo, Ele nos fala a todo momento, nos guia e nos conforta, e também nos indica o caminho a seguir. Mas quantas vezes nós paramos para ouvir?

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A última vez que vi minha avó

Quem me conhece me acha divertida, alegre, de bem com a vida, mas nem sempre fui assim. Houve uma época em minha vida na qual eu me sentia um lixo. Presa de uma depressão profunda que se arrastou por anos, eu não tinha a menor alegria de viver e tudo o que seria para muitos motivo de alegria em mim não causava nenhuma emoção.

À noite eu conseguia dormir só com calmantes e durante uma ou duas horas apenas. As restantes eu fitava a escuridão, esperando o momento de levantar e enfrentar mais um dia. A idéia de ter que me levantar me aterrorizava, por mais paradoxal que possa parecer, apesar de passar a noite em claro, o que eu mais gostaria de fazer é não me levantar nunca mais, dormir até o dia de minha morte.

Como uma coisa leva à outra, a idéia de morte foi instalando-se em minha cabeça até tornar-se uma idéia fixa. E de tanto pensar em morte, um dia comecei a pensar que eu poderia chegar a ela mais rápido. E a idéia de suicídio começou a flertar comigo, a cada dia ela se tornava mais atraente, até que um dia, numa crise de desespero, decidi que aquele seria o último dia daquela amarga existência.

Já estava com tudo pronto para o ato de loucura quando um último sentimento de culpa me impeliu a ir ver se minhas 3 filhas pequenas estavam bem em suas caminhas antes de torná-las órfãs. Eu estava no banheiro de minha casa, teria que passar pela sala para ir ao quarto delas, e na sala havia uma porta dupla de vidro que dava diretamente para o sofá da sala.

Quando me aproximei da porta para abrí-la e entrar na sala vislumbrei através do vidro um vulto de uma pessoa sentada no sofá. Meu primeiro sentimento foi de medo, pois além de minhas filhas que deviam estar dormindo não havia mais ninguém em casa além de mim. Meu segundo pensamento foi de que se eu estava mesmo disposta a ir até o fim, que importância teria se ali estivesse um estranho, ladrão ou o que fosse, disposto a dar-me uma ajuda em minha tão difícil tarefa?

Pensando assim abri a porta de vidro de uma vez, disposta a apresentar-me a quem quer que estivesse sentado no sofá de minha sala, mas assim que abri a porta fiquei paralisada. Lá estava minha avó, desencarnada cerca de 6 anos antes. Estava sentada, as mãos cruzadas no colo e simplesmente me olhava. Em seu olhar havia amor, compaixão e uma súplica muda que eu logo entendi.

Assustada retrocedi, fechando a porta novamente, e quando voltei a abrí-la minha avó não estava mais ali. Fiquei horas imaginando como aquilo seria possível, se eu não estaria ficando louca, etc. Quando dei por mim meu marido estava de volta e eu me esqueci completamente do ato tresloucado que imaginara fazer naquele dia.

Tempos depois entendi como a aparição dela mudara completamente o rumo de meus pensamentos, fazendo-me esquecer e posteriormente desistir de atentar contra minha própria vida, fugindo de meus problemas e deixando-os multiplicados para os que ficariam, e que eu amava. Entendi também que o ato que estivera prestes a praticar seria prejudicial não só para mim e minha alma imortal, mas também para todos aqueles que ficariam nessa existência terrena, sem entender o que se passara para que eu me fosse de forma tão violenta e amarga.

Essa foi a última vez que vi minha avó.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vivendo com a alma gêmea

Viver com sua alma gêmea é diferente desde o princípio. Muitas vezes parece que você consegue se comunicar com o outro sem ter que se expressar com palavras. É interessante que muitas vezes sabemos exatamente a frase que o outro vai dizer - e até a entonação que vai usar - mesmo antes dele abrir a boca.
Também é notável perceber que desde o primeiro encontro nos sentimos à vontade com a outra pessoa e a sensação que temos é que sempre conhecemos essa pessoa.
A vida em comum é engraçada porque já estamos acostumados com a presença dele, seus hábitos e manias antes mesmo de começarmos a viver juntos. Também é interessante notar como é fácil ser condescendente e paciente com seus defeitos e manias, mesmo as mais irritantes.
Outro ponto interessante é que quando estamos com nossa alma gêmea o tempo passa muito depressa e temos a exata sensação de que estamos vivendo num mundo à parte, no qual as leis e problemas do mundo das outras pessoas não podem penetrar.
A sensação mais forte que temos é de que não podemos ficar sem essa pessoa e de que ela só nos basta, com ela o resto do mundo pode se acabar que nem notaremos.


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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Esperança, confiança e outros sentimentos que a vida não pode nos roubar

Compulsiva
A vida nos prega peças quando nos dispomos a vivê-la em toda sua plenitude. Somos então como pássaros que se atiram a um vôo cego em busca da liberdade, da luz, do ar puro, das grandes sensações. Sempre que nos lançamos à vida em busca de viver tudo integralmente nos tornamos também um alvo, e esse é um risco que temos que correr.

Pássaro ferido, abatido durante seu vôo noturno se recolhe, se encolhe. Mas o tempo passa, a vida é curta, e ela chama para novas aventuras, novas sensações, um eterno recomeçar. E novamente lá estamos envolvidos com nosso destino, cumprindo nossas missões grandes ou pequenas.

Muitas pessoas passam por nossa vida. Umas permanecem, outras se vão. Algumas deixam marcas indeléveis, pelo muito que nos ensinaram, pela enormidade que nos doaram. Outros, infelizmente, estão fadados ao esquecimento, pouca diferença fazem, apenas almas irmãs, envolvidas em sua própria caminhada, nas quais esbarramos quase que por acaso. Às vezes nos enganam, ou nós mesmos nos enganamos achando que vieram pra nos trazer luz, amor, ternura. São vazias, centradas apenas em si mesmas e por mais que batamos à porta de seus corações eles jamais se abrirão.

Essas pessoas por vezes nos magoam, nos desgastam, sugam um pouco daquilo que mais invejam em nós: a capacidade de amar, de voar, de buscar.

Nós, que temos asas, nós que sabemos voar, nós que sabemos verdadeiramente doar, nós que por algum mistério do Pai Eterno aprendemos a amar, não podemos deixar que essas pessoas que apenas atravessam nosso caminho por momentos nos deixem marcas. Não podemos permitir que por sua causa deixemos de acreditar. Não podemos deixar que nos levem a esperança, a confiança nos outros seres iguais a nós, que receberam também o dom de saber partilhar.

Voaremos todos, em bandos, procurando nossas metades, nem que essas metades nos acompanhem apenas por uma parte do caminho. Não importa, vale a troca, vale o amor partilhado, que mesmo que não seja eterno, é verdadeiro e forte quando encontrado.

As almas ocas que nos olham lá de baixo, caminhando pelo deserto de sol ardente jamais aprenderão a voar. É justo que rastejem na areia quente esbarrando-se umas nas outras, enquanto temos o céu, a luz do luar.

Coração batendo temos dentro do peito, feito para amar, para sofrer, para sentir. Temos sim, sentimentos que podem ser feridos, esmagados, desprezados. Para alguns eles não têm nenhum valor. Mas para nós que temos a capacidade plena de senti-los e vivê-los, são nossa razão de viver, nossa razão de voar.

(escrito por Zailda Mendes)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Nosso destino está traçado?

Não acredito que esteja literalmente traçado, podemos tomar vários caminhos, uns mais curtos e outros mais longos, que nem sempre dão no mesmo lugar.

Eu morava em Pacaembu e comecei a conversar com um homem, em pouco tempo começamos a "namorar" pela internet. Eu achava que estava apaixonada e que ele era minha alma gêmea. No carnaval de 2006 combinamos de nos encontrar na cidade de São Paulo.

Dois dias antes de minha viagem o tal homem "sumiu" da internet. Meus filhos estavam preocupados, achando que era loucura eu viajar 700 km para encontrar alguém que conhecera apenas pela internet. E ele havia sumido, será que apareceria? Argumentavam que poderia ser um sequestrador, um doente, sabe-se lá o que esperar.

Eu estava confiante, dentro de mim eu sentia uma urgência, uma necessidade de vir a São Paulo. Não sabia explicar, mas sentia que "alguma coisa" estava me esperando aqui. Sabia que minha vida mudaria, que era um cruzamento de estradas, e mesmo que eu não mudasse de rumo, teria que vir até São Paulo para conferir e tomar minha decisão.

Esperei 3 horas na estação São Bento do metrô, conforme o combinado. Ele não apareceu. Nesse momento não sabia o que fazer, mas sempre que isso acontece, limpo minha mente e pergunto: "Deus, que devo fazer agora?" e a resposta sempre aparece em minha mente e é sempre a melhor idéia.

Quando perguntei o que deveria fazer, logo "apareceu" em minha mente o nome de minha comadre, que há mais de 20 anos eu não visitava. Era uma idéia absurda, já que tenho irmã e primo na Grande São Paulo, era muito improvável que eu resolvesse ir para lá. Mas foi pra casa dela que eu fui.

Quando cheguei, encontrei lá o filho dela, que havia se separado da mulher há poucos meses. Eu já o conhecia, mas por uma ironia do destino, a vida nos mantivera sempre separados. Fiquei na casa de minha comadre uns dias, o suficiente para uma forte atração nascer entre nós. E da atração veio a paixão e o amor.

Resolvi então que viria morar e trabalhar em Diadema. Tudo me foi facilitado, mandei currículo pra escola do mesmo grupo onde já trabalhava desde 97 e fui prontamente aceita. Em julho de 2006 mudei-me para Diadema, sob protestos dos meus filhos e outros membros da família.

Eu e Marques estamos casados há 14 meses e estamos ainda em plena lua-de-mel. Eu estava certa, minha vida mudaria e havia "algo" esperando por mim aqui. Eu sabia que encontraria um dia minha alma gêmea, vim em busca dela a São Paulo e finalmente a encontrei.

(zailda coirano)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Segunda chance

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Quando conheci Marques ele era pouco mais que um garoto e foi assim que o vi: um garoto metido que se achava "o cara". Ele por seu lado me viu tal qual eu era então: uma mulher orgulhosa, voluntariosa, prepotente.


Isso foi há mais de 20 anos e nos encontramos pela primeira vez em uma festa na qual mal nos falamos, apenas um aperto de mão e talvez um aceno de cabeça, essas coisas de praxe.


O destino fez com que cada um seguisse seu caminho: ele viveu um casamento de 18 anos, uma relação dolorosa e arrastada que o lhe deixou mágoas e cicatrizes. Eu me debati entre muitas relações, nas quais buscava compreensão e o amor verdadeiro. Como eu me mudara de Diadema, durante anos mais de 600 km nos separavam.


Mas durante esse tempo a vida nos ensinou e nos moldou, e nunca deixamos de procurar o verdadeiro amor, o par perfeito com quem pudéssemos ter uma relação equilibrada e harmoniosa.


Um dia, por essa ironias da vida, vim a São Paulo na última tentativa de encontrar a alma gêmea, esse ser que eu tanto ansiava amar. Mas à medida que os minutos de minha espera se transformavam em horas e esse ser não aparecia, minha esperança se desvanecia como areia que escapa pelo vão dos dedos.


Ao final, como refúgio para meu desencanto e decepção, fui para a casa da mãe de Marques, minha amiga e comadre há muitos anos. Quando cheguei as palavras foram pequenas para descrever o que eu sentia e o que se passara, e então as lágrimas falaram por mim.


Marques se aproximou porque aquela mulher capaz de viajar quase 700 km em busca de um amor de verdade não condizia com a imagem que ele guardara de mim esses anos todos. Eu me sentia derrotada e ele se curava de uma depressão após a separação.


Assim começamos a conversar, dois seres humanos querendo ser ouvidos e entendidos, com a alma nua e o peito aberto e sem reservas. Naqueles olhos castanhos que pareciam ler minha alma eu mergulhei minhas queixas e minhas histórias e aos poucos fomos reconhecendo um no outro o gêmeo do qual fomos separados ao nascer.


O amor brotou, cresceu, deu galhos e frutos.


Creio que a primeira impressão é importante mas em nosso caso ela teve que ser reformulada, pelo muito que a vida nos mudou. Somos hoje outras pessoas, que nada têm a ver com o que éramos há vinte e tantos anos. A vida se encarregou de nos separar porque ainda não era a hora de nos pertencermos. Não estávamos ainda prontos, tínhamos um longo caminho pela frente antes de nos encontrarmos novamente frente a frente, com a defesas baixadas para que a vida finalmente nos apresentasse uma segunda chance de ser feliz.

(escrito por Zailda Coirano)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sonho repetido

Durante muitos anos eu tive o mesmo sonho que acontecia sempre da mesma maneira. E depois dele eu sempre acordava com a impressão de que ele era mais real que meu quarto e as coisas que estavam a meu redor. Eu ficava tão atordoada que demorava a perceber que era apenas um sonho, de tão real que era.

Nesse sonho eu estava com roupas antigas, vestidos que iam até o chão e tomava conta de 4 crianças. Elas corriam ao meu redor e quando eu ia tirar água de um poço elas corriam e entravam em um barracão de madeira e subiam por uma escada que lá havia.

Minha reação era de desespero, eu jogava o balde de água no chão e corria atrás delas, chamando-as num idioma que se parecia com holandês. Eu subia a escada atrás delas e entrava num aposento. A princípio não se via nada pois estava em quase total escuridão. Aos poucos eu via uma criança de dentes pontiagudos e desiguais cujo sorriso mais parecia uma careta de dor. Ela estava amarrada a uma cama de madeira que se parecia a um tablado e as janelas do aposento estavam fechadas e lacradas com pedaços de madeira. Um pequeno lampião estava ao lado da cama, única fonte de luz do lugar.

Eu parava ao lado das crianças, aterrorizada, e elas após um primeiro momento de indecisão aproximavam-se da cama, estranhando a figura tão grotesta. Meu coração batia descompassado e eu tratava de reunir as crianças para tirá-las de lá, mas elas começavam a correr ao redor da cama para fugir de mim, numa brincadeira comum de crianças. A criatura amarrada à cama parecia divertir-se com aquilo e soltava risos que demonstravam seu retardo mental.

Aproximando-me percebi que as correias entravam em sua carne, deixando muitas marcas em vários estágios de cicatrização. Também senti um cheiro horrível de excrementos, a criança deveria fazer suas necessidades na própria cama e ninguém se encarregava de limpá-los. Fugi dali, enojada, finalmente arrastando as crianças comigo à custa de brados e ameaças.

Porém ao sair do quarto uma delas esbarrou no lampião próximo à cama da criança e logo as chamas começaram a se esparramar pelo quarto. Fugi com meus pupilos escada abaixo, abandonando a criatura à própria sorte. Já no final da escada ouvia seus gritos (mais parecidos a urros de animal), e deduzi que as chamas já haviam chegado à sua cama.

Já ia saindo do barracão quando me dei conta de que aquela criatura, mesmo apresentando a forma que mais se assemelhava à de um animal, ainda assim era um ser humano e sobretudo era uma criança e portanto eu não poderia permitir que morresse abandonada à sua sorte.

Subi novamente as escadas pulando os degraus de dois em dois, mas quando abri a porta do quarto já as chamas e a fumaça o haviam tomado totalmente, não se via nem a criança nem nada mais, o fogo já tomara completamente o aposento.

Nesse ponto eu sempre acordava desesperada e mesmo depois de bem acordada ainda podia sentir o calor do fogo e o cheiro da fumaça por algum tempo, chegava a abrir a janela para que o ar fresco varressem essa sensação.

Tive esse sonho durante anos e anos a fio, dos 13 anos (logo que comecei a desejar um dia adotar um filho) até a noite anterior à chegada do Alan em casa. O fato de eu ter 4 crianças comigo também é sugestivo porque além do Alan eu tenho outros 4 filhos, que não foram adotados.

(zailda mendes)

terça-feira, 1 de abril de 2008

A ironia do destino

Não citarei nomes porque eles não vêm ao caso, mas outro dia me deram uma notícia que me fez pensar sobre a ironia do destino e em como nossa vida segue por rumos que jamais suspeitaríamos anos antes.

Há alguns anos, morando em Pacaembu, soube por colegas que trabalhavam comigo do drama que vivia um conhecido. Sua esposa lutava contra um câncer no fígado e mesmo passando por tratamentos dolorosos e penosos não havia a menor chance de recuperação. Eu mesma, ao vê-la depois de ter iniciado o tratamento tive um choque.

Ela nunca fôra bonita, mas era uma mulher de aparência agradável, séria e de poucas palavras, mas muito educada. Beirava os 30 e sua vida girava em torno do marido e do filho de 12 anos. Depois da doença ficou cadavérica, tão magra que quase se poderia ver os ossos. Quando a encontrei parecia uma anciã de 80 anos.

Nesse momento de desespero a tentação se aproximou e dominou o rapaz. Sem poder contar com a presença da esposa, começou a sair com uma garota de 18 anos. Era uma garota exuberante, olhos verdes e corpo escultural, cujo ponto alto eram os seios, que ela fazia questão de exibir com roupas justas e decotadas.

Vinda de família pobre, interessou-se logo pelo rapaz, que tinha um bom emprego e um salário muito interessante, que proporcionava todo o conforto à família e que logo despertou na moça a vontade de aproximar-se dele.

Contam os mais próximos que ela mais de uma vez tentou se aproximar, até que num desses momentos de fraqueza da vida ele tornou-se seu amante. E ela pedia presentes e roupas caras, que fazia questão de exibir como "presentes do meu coroa".

Como o caso da esposa dele era muito grave o tratamento foi suspenso e ela voltou para casa, talvez para aproveitar os últimos momentos junto da família. Bem nessa época a garota descobriu que estava grávida.

Mais de uma vez eu a vi comentando que precisava cuidar muito bem dessa gravidez porque ela era sua "loteria". A partir daí passou não mais a pedir, mas sim a exigir presentes cada vez mais caros e a pressionar o rapaz dizendo que se não fizesse o que pedia contaria do caso deles para sua esposa.

A pressão foi ficando tão forte que ele não mais suportando deu um basta e terminou a relação. A partir daí ela começou a fazer escândalos na porta da casa dele, e mais de uma vez os vizinhos a viram discutindo com a esposa (que saía da cama para pedir-lhe para parar com aquilo pelo amor de Deus), quanto com o rapaz e mesmo com o filho adolescente deles.

A criança nasceu, foi feito um pedido de pensão e a partir daí a garota não mais incomodou, satisfeita com o "pagamento" por seus serviços sexuais, e apesar do diagnóstico contrário, a esposa curou-se e de comum acordo ele pediu transferência para outra cidade e foram viver em paz.

A garota mudou-se também, foi viver sua vida. Casou e descasou, deu suas cabeçadas na vida e por fim retornou a Pacaembu. A última notícia que recebi dela foi de que ela (agora na casa dos 30, como a esposa do rapaz estava naquela época) estava com câncer na mama e que teve que retirar os seios, dos quais tanto se orgulhava. Ainda não se sabe se sobreviverá e se o câncer foi mesmo extirpado.

Depois dessa notícia fiquei comparando os destinos das duas. A esposa do rapaz que eu saiba está bem, da última vez que ouvi notícias estava toda orgulhosa ao lado do marido na formatura do filho, que agora é médico.

Mas o que me fez meditar foi a semelhança das histórias, o câncer aos 30 anos, o diagnóstico negativo dos médicos. Às vezes a vida nos mostra seu lado irônico e ficamos pensamos se seria mesmo verdade que "aqui se faz, aqui se paga".

(zailda mendes)

terça-feira, 11 de março de 2008

Essa foi por um triz

Quando eu estudava na Universidade Metodista tinha que tomar um ônibus até o Paço Municipal de São Bernardo e então um outro até Diadema, onde eu morava. Como era à noite, às vezes ficava complicado pra tomar o ônibus porque eu não via muito bem o letreiro.

Numa noite dessas em que o ônibus estava demorando muito eu me sentei debaixo de uma guarita e uma senhora muito simpática e tagarela começou a puxar prosa. Eu ouvia e abanava a cabeça, que ia longe com meus próprios pensamentos, enquanto vigiava pra ver se meu ônibus não chegava.

Num desses momentos eis que chegam logo 3 de uma vez, e de onde eu estava não via muito bem, então me levantei e dei uns passos até o meio-fio pra ver melhor, dando aquela espichada básica de pescoço pra enxergar à noite e ainda por cima o astigmatismo atrapalhando.

Estou naquele exercício de estica pescoço, franze testa, pisca forte, quando ouço um baque forte bem atrás de mim. Pra minha surpresa a guarita sob a qual segundos antes eu ouvia a simpática velhinha tagarela falar pelos cotovelos agora está que é um escombro só. Toda detonada, vejo apenas entre as pedras uma alça da sacola que a falante senhora segurava. E um sinistro fio de sangue escorre na calçada.

Correria, gritaria, a mente confusa demora uns minutos a entender o que se passara: alguém em desespero pulara de uma das janelas do prédio em frente à calçada onde estávamos, e no seu pulo pra outra vida, inadvertidamente levara consigo a distinta senhora que agora com certeza estaria levando uma animada prosa com São Pedro.

- Não sei, meu filho. Eu estava lá esperando o ônibus, de repente "tchibum"  e agora estou aqui...

No fim das contas, era o meu ônibus mesmo, entrei meio cabisbaixa e na minha mente iam coisas estranhas, como os mistérios da vida e em como o fato de não usar óculos (e portanto não enxergar direito) poderia ter - quem sabe? - me concedido alguns anos a mais por aqui.

(zailda mendes)

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